segunda-feira, 24 de agosto de 2009

o último lambe-lambe



A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, nesta segunda-feira, projeto do Executivo que concede benefício financeiro vitalício de dois salários mínimos a Varceli Freitas Filho, conhecido como último fotógrafo lambe-lambe da Capital.

O projeto é assinado pelo vereador Sebastião Melo (PMDB), que ocupou o cargo de prefeito quando a proposta foi formalizada. Na exposição de motivos, Melo explica que Varceli trabalha na Praça XV há 30 anos e que hoje exerce seu ofício também aos domingos, no Brique da Redenção.

Varceli lamenta a dificuldade de se manter com sua profissão:

— Aqui na Praça não dá nem para o cafezinho. O único dia que eu consigo pegar duas fotos é sábado, quando o pessoal passeia mais. Dia de semana não adianta vir aqui, o pessoal passa mas não para.

Atualmente, Varceli não vai todos os dias à Praça XV. Além de sofrer as consequências de um atropelamento que prejudicou sua perna direita, o trabalho não compensa.

Entretanto, há cinco anos está presente no Brique da Redenção, onde diz sentir-se satisfeito:

— Domingo eu levanto às 8h, tomo meu banho, meu café e vou pra lá, chegando por volta das 10h. Me dá aquela vontade de ser lambe-lambe! Não é porque lá eu faço mais fotos. É porque tenho prazer em exercer essa profissão, que está no meu sangue. Só vou deixar de ser lambe-lambe quando morrer.

As informações são da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.



Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada espera de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais do que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentros dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1997)

3 comentários:

  1. Imagina.... dá muita saudades !!! me lembro dos desenhos que tu fazias a mão.......... do Miguelito !!!!!! eh, hoje com a "era" da informática muito coisa se perdeu... Como dizem os versos de "Chiquillada".....
    "Lindo haberlo vivido para poderlo contar..." bjo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Pois eu ainda pretendo fazer uma foto minha no lambe-lambe! :D

    P.S. Eu gostaria de te convidar a participar numa dinâmica de blogguers:

    1.- Você deve copiar a imagem "Honest scrap" do meu blog "Destilador" e colocá-a no seu.

    2.- Mencionar quem lhe convido prá participar.

    3.- escrever 10 coisas honestas acerca de você.

    4.- Convidar mais 8 pessoas para participar nessa dinâmica.

    Veio do México para mim o convite, Resih é leitor do Destilador e leio sou leitora do blog dele! ;)

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