terça-feira, 18 de agosto de 2009

paris


Paris é a tentativa de Cédric Klapisch na estrutura multiplot - aquelas histórias que se desenvolvem paralelamente e terminam de alguma forma por se entrelaçar. A forma canônica foi estabelecida por Robert Altman em filmes como Nashville e Short Cuts, inspiradores de Antes da Chuva, de Milcho Manchevski, ou Amores Brutos, de Alejandro González Iñárritu, para citar apenas exemplos mais recentes e de sucesso.

Neste filme, como indica o título, Klapisch ambienta histórias na capital francesa, na grande cidade que abriga dramas e comédias humanos em doses fartas. Entre os personagens estão o bailarino (Romain Duris) que precisa de um transplante cardíaco; sua irmã (Juliette Binoche), assistente social desiludida com os homens; e o professor universitário (Fabrice Lucchini), historiador especializado em Paris, que paquera uma de suas alunas mais bonitas.

Várias outras histórias paralelas se desenvolvem e se cruzam com estas três básicas e o filme não deixa de ter encanto. Em especial pela maneira mais amorosa que engenhosa como os personagens são desenvolvidos contra o pano de fundo de uma cidade que, como todas as metrópoles, parece agressiva, indiferente, tão cheia de vida como esmagadora.

Klapisch busca tom caloroso para retratar seus personagens, mas nem por isso de maneira piegas. Faz a emoção aflorar, com senso de contenção. Contempla, ainda, a diversidade cultural e étnica de uma cidade como Paris, pluralidade que muitas vezes leva as pessoas a rever conceitos ou, pelo contrário, a reforçar preconceitos. As duas atitudes contrárias estão lá, representadas. Enfim, a cidade é um ser vivo, pulsante, às vezes monstruoso e um tanto enlouquecedor. E, nela, as pessoas são induzidas a pensar-se como superpoderosas, até que alguma contingência revele sua fragilidade. É quando o sentido de humanidade pode aflorar de alguma maneira.
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Estadão.

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