sábado, 17 de abril de 2010

prática de exercícios físicos pode ajudar no tratamento de portadores de doenças crônicas



Portadores de doenças crônicas muitas vezes temem que a prática de exercícios físicos possa agravar os males que sofrem. Programas individualizados para esses pacientes, porém, crescem como alternativas para uma vida mais saudável.

Os benefícios da prática de atividades físicas são indiscutíveis. O hábito de fazer exercícios, seja ao ar livre ou em academias, é defendido por cientistas e recomendado por médicos como um dos melhores caminhos para uma vida saudável. Quem sofre de doenças crônicas, porém, costuma ter dúvidas sobre se pode ou não se exercitar. Diabéticos, hipertensos, asmáticos ou portadores de males degenerativos como Alzheimer e Parkinson nem sempre sabem que mexer o corpo pode ser parte do tratamento da patologia, desde que os exercícios sejam personalizados e voltados para as necessidades e limitações de cada um.

Tanto médicos quanto os profissionais dedicados ao atendimento dessas pessoas não têm dúvidas: a atividade física não é apenas benéfica para manter o corpo em forma, ela melhora a resistência e o bem-estar daqueles que se tornaram reféns de doenças sem cura, reduzindo a chance de complicações e aumentando a qualidade de vida dos pacientes. O cardiologista José Roberto Barreto explica que, dependendo do problema, as restrições existem, mas jamais devem impedir a prática. Para os hipertensos, por exemplo, atividades com muito peso ou carga não são indicadas.

De maneira geral, os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e natação, são mais recomendados. Para os pacientes idosos, é importante também a musculação.

– Ela impede a atrofia muscular. A prática deve ser encarada como parte do tratamento. Trinta minutos de atividades, três vezes por semana, trazem benefícios importantíssimos – garante o médico.

O cardiologista considera que a prática esportiva é fundamental para controlar o estresse, fator comum em pacientes crônicos.

– Em muitos casos, conseguimos até suspender a prescrição de medicamentos como ansiolíticos e tranquilizantes, além de reduzir as drogas que controlam a doença em si – observa Barreto.

O endocrinologista Marco Antônio Vivolo afirma que a prática de atividade física também é uma aliada no controle do diabetes tipo 2, a quarta maior causa de mortes no mundo – representa cerca de 3,8 milhões de óbitos por ano. Com uma dieta balanceada, os exercícios auxiliam na redução e no controle da glicemia (concentração de glicose no sangue). Eles aceleram o metabolismo, queimam calorias e controlam o peso, além de melhorarem a circulação sanguínea.

É preciso conscientização

Segundo o endocrinologista Marco Antônio Vivolo, o maior desafio dos médicos é conscientizar os pacientes sobre a importância de ser ativo, de praticar exercícios. No rol das doenças crônicas, os diabéticos são os que mais se beneficiam da atividade física. Os aeróbicos auxiliam na metabolização do açúcar no sangue.

– Para aqueles que dependem de injeções de insulina, natação, caminhadas, pedaladas e corridas contribuem para que a frequência delas seja menor – pondera o endocrinologista.

Ele acrescenta que falar em cura não é apropriado, mas quando o diabetes é resultante do mau aproveitamento da insulina, o exercício físico pode estabilizar as taxas e até fazer com que a pessoa não precise de medicamentos.

O avaliador físico e professor de academia Helder Rodrigo de Souza explica que hipertensos, diabéticos, cardiopatas e pessoas com problemas de joelho e coluna exigem realmente cuidados especiais.

– Fazemos uma avaliação física detalhada, analisamos a história da pessoa, o laudo dos médicos e até os medicamentos que o paciente toma para planejar os exercícios ideais – enfatiza.

A servidora pública Simone Leal da Rosa, 39 anos, foi surpreendida com oito pedras nos rins há quatro. O problema, decorrente de uma osteoporose sem causa identificada, comprometeu o órgão. Nesse caso, a reposição de cálcio é contraindicada.

– O meu nefrologista receitou a musculação como remédio. Disse que ela equivale a um comprimido por dia e que jamais poderia deixar de fazer essa modalidade. Relutei, porque sempre fiz ginástica localizada e nunca gostei de musculação, mas não posso negar os benefícios. A osteoporose na coluna regrediu para uma osteopenia. Eu, que cheguei a fraturar os dedos da mão batendo palmas, nunca mais tive fraturas – comemora Simone.

Movimento que traz saúde

Veja alguns exemplos de como a atividade física regular pode ajudar a enfrentar doenças:

ASMA
- Melhora a mecânica respiratória e previne as alterações toráxicas e posturais
- Aumenta a tolerância ao exercício e a capacidade de trabalho, com menor desconforto e broncoespasmo

CÂNCER
- Contribui para a melhora da capacidade funcional e do sistema imunológico, além de reduzir a fadiga imposta pelo tratamento
- Diminui a perda de força muscular e da densidade mineral óssea

DIABETES
- Diminui a hemoglobina glicosilada
- Reduz fatores de risco, doenças cardiovasculares e a síndrome metabólica

FIBROMIALGIA
- Aumenta as endorfinas endógenas e diminui os pontos dolorosos
- Melhora a qualidade do sono e humor

OSTEOPOROSE
- Aumenta a massa óssea e melhora o equilíbrio
- Reduz o risco de quedas e possíveis fraturas

HIPERTENSÃO
- Diminui o sobrepeso, uma das principais causas da doença
- Diminui o risco de acidente cardiovascular

VARIZES
- Melhora a circulação periférica e a força dos membros inferiores, auxiliando no retorno venoso

HÉRNIA DE DISCO
- Reduz o sobrepeso e, consequentemente, a sobrecarga sobre as articulações da coluna vertebral
- Fortalece a musculatura paravertebral, abdominal e da área central do corpo

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