segunda-feira, 11 de outubro de 2010

imagine lennon setentão

No aeroporto de Heathrow, a empregada míope de uma companhia aérea estrangeira pega o passaporte e lê a meia voz, com um sorriso discreto:

— John Winston Ono Lennon. Engraçado... O senhor tem o mesmo nome do John Lennon. É uma homenagem a ele?

E o passageiro grisalho, de cabelos curtos, com o british humour que aperfeiçoou ao longo do tempo:

— Sim. Meus pais eram fãs dos Beatles, mas eu gosto mais dos Rolling Stones...

O diálogo soa um tanto fantasioso mas bem que poderia acontecer, neste 2010 em que o ídolo chegaria aos 70 anos de idade, como um dos maiores e mais expressivos nomes da pop music internacional, amado por milhões de pessoas em todo o mundo.

Comecemos por lembrá-lo a partir de Liverpool, cidade localizada ao norte da Inglaterra. Entre os pontos de interesse turístico, o mais visitado é a casa onde, por 17 anos, viveu John Lennon (Mendips, 251 Menlove Avenue, Woolton). São várias as histórias sobre a infância do menino criado pela tia, apaixonado por música e chá inglês. Anedotas contadas com muita animação pelos guias que diariamente recebem centenas de fãs dos Beatles.

O que se sucede a partir de então é ainda mais conhecido. A amizade e a luminosa parceria com Paul McCartney, o sucesso, a histeria das garotas... Em seguida, o casamento com Yoko Ono e a dissolução do conjunto que revolucionou a música (dois fatos que estariam intimamente ligados, segundo alguns).

A morte de Lennon, em dezembro de 1980, choca o mundo pela violência com que acontece, quando o psicopata Mark Chapman assassina a figura que tanto admira, como fazem aqueles que doentiamente destroem o objeto da paixão. Era o fim do músico e o começo do mito, um herói segundo o modelo que a Grécia nos legou. Assim como outras personalidades que entrariam para a História − Marilyn Monroe, James Dean, a Princesa Diana −, John Lennon deixou a vida de forma prematura e trágica, imortalizando-se como eternamente jovem, no imaginário daqueles que o cultuam.

Bem que o músico poderia ser hoje um saudável setentão. Pensar em como viveria é celebrá-lo como a grande lenda em que se transformou: teríamos um álbum por ano? Inúmeros concertos ao redor do globo

Um revival com os sobreviventes dos Beatles? John estaria magro, em forma, com os cabelos ainda longos? Ainda casado com Yoko?

Por falar nela…

Em uma entrevista concedida ao jornal inglês Daily Mirror neste fim de semana, a viúva crê que o marido vibraria com as inúmeras possibilidades de comunicação trazidas pela Internet. Yoko garantiu: Lennon defenderia a paz por meio de blogs, e teria, com certeza, um twitter. Alguma coisa como: proteste contra a política externa dos Estados Unidos em 140 caracteres. Será?

Para os fãs mais apaixonados, difícil imaginá-lo sem a aura mitológica. Mas pode ser que Lennon se estivesse cansado e, por consequência, afastado da roda viva musical. Recusaria todas as propostas de shows ou participações em programas de tevê. Talvez se sentisse esgotado e entediado. E seria um dos poucos ídolos a nunca ter-se sentado no sofá da Oprah...

A verdade é que quase trinta anos após a fatídica noite em frente ao Dakota Building, John Lennon permanece vivo na música que deixou. As celebrações dos 70 anos presentearam os fãs com o relançamento de oito álbuns do compositor e cantor e lhe renderam homenagens por todo o mundo. Em Liverpool, os shows que começaram neste fim de semana seguem até 8 de dezembro, data da morte de Lennon.

Tão forte quando o seu legado na música é a força da imaginação de pessoas do mundo inteiro, que ao se lembrarem do beatle mais famoso e mais polêmico, tomaram neste 9 de outubro um minuto para pensar: “Imagine como estaria hoje o John Lennon setentão”…
Mariana Caminha



Mariana Caminha é formada em Letras pela UnB e em jornalismo pelo UniCEUB. Fez mestrado em Televisão na Nottingham Trent University, Inglaterra.

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