sábado, 18 de fevereiro de 2012

pobres árvores de porto alegre

Em maio de 2012, lembraremos os 10 anos de falecimento de José Lutzenberger, e, ao que tudo indica, a ativista indiana Vandana Shiva será uma das conferencistas do Fronteiras do Pensamento deste ano, em evento que homenageará o grande ecologista gaúcho.  Porto Alegre, que já foi sinônimo de preservação ambiental, tem hoje uma população indignada com as recentes atitudes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), e a indignação é tão grande que lançaram uma petição pública em repúdio à derrubada das árvores, que são postas ao chão sob a tosca justificativa de que sob suas copas escondem-se os marginais de nossa cidade. Se um espaço público é frequentado por gente suspeita, essa é mais uma razão para que as autoridades invistam em políticas públicas para combater e coibir as ilegalidades. Investimentos em segurança preventiva, como iluminação, instalação de câmeras de vigilância e policiamento efetivo adequado.
Esse movimento de indignação popular intensificou-se recentemente com a derrubada de uma figueira na Praça Otávio Rocha e ganhou novos adeptos nesta última quinta-feira, quando moradores da Rua dos Andradas, no Centro Histórico, choraram mais uma vez: a SMAM, em pleno verão, mandou decepar (podar?) as árvores da Praça Brigadeiro Sampaio. É lamentável que isso esteja se tornando frequente e que o argumento usado seja sempre o mesmo, o de que as árvores estão servindo de abrigo para os meliantes. Dona Claudete, moradora das imediações e frequentadora do espaço, não escondia sua indignação: e desde quando marginal dá em árvores? perguntava. Como ela e dezenas de outros moradores, eu também frequento essa praça, para onde alguns levam seus filhos, e outros, os seus cachorros. Durante o dia procuramos a sombra das árvores pra fugir do calor escaldante. E a SMAM, que deveria plantar árvores, contribui para que a situação piore ainda mais! Lembro que a época de podas geralmente acontece entre junho e julho, e não agora, quando a planta está em plena atividade, cheia de vida. Uma lástima e uma tremenda falta de bom senso, ou seria falta de conhecimento?
Percebe-se que a SMAM age sem atender à demanda e às reivindicações dos cidadãos. Uma moradora do entorno da Praça dos Cata-ventos, no Jardim do Salso, viajou para o Uruguai no início de fevereiro, e antes da viagem havia contatado a referida secretaria por três vezes, pedindo que solucionassem o problema da derrubada de arbustos e árvores naquele espaço. Até o momento, nenhuma resposta da Prefeitura! Agora ela está pensando em organizar um mutirão para ajudar as “meninas” que estão literalmente tombadas no chão!
Já quem vive ou transita na zona Norte de Porto Alegre, nas proximidades da Plínio Brasil Milano, nas imediações da Avenida Andaraí, percebe, além da explosão imobiliária, com imensos prédios residenciais, o mau cheiro predominante, que se intensifica nos dias de calor, devido ao esgoto a céu aberto em que se transformou um riacho que passa entre as ruas José Scutari e Luiz Cosme. Será que a Prefeitura não percebeu ainda o problema e não fará nada para mudar esse quadro?
José Lutzenberger também foi homenageado recentemente na abertura do II Encontro Brasileiro de Secretários do Meio Ambiente, evento que aconteceu durante o Fórum Social Temático e que foi promovido pela Câmara dos Deputados. Na oportunidade, cada Secretário recebeu um exemplar de seu último livro, “Garimpo ou Gestão”, organizado pela jornalista Lilian Dreyer. Tudo indica, no entanto, que os representantes da pasta, em nosso município, até hoje não leram a obra. Porto Alegre está se tornando uma cidade que reverencia os seus antepassados, mas de nada adianta cultuarmos a memória dos mortos se não aprendemos com estes o verdadeiro valor de suas atitudes. Pedimos às autoridades responsáveis, como o Ministério Público, Delegacia Ambiental e IBAMA, que analisem as ações da Prefeitura de Porto Alegre e avaliem a legalidade ou ilegalidade das medidas antiecológicas adotadas nos últimos tempos pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de nossa cidade.

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